Precisão e fontes dos dados
Aplicativos que estimam calorias a partir de uma foto erram tipicamente entre 14% e 20% por refeição, e erram mais em pratos misturados. O soubemm não afirma ser exceção a isso. O que ele faz de diferente é dizer em voz alta a porção que supôs, que é onde quase todo o erro mora, para que você corrija a parte errada em vez de aceitar o número inteiro.
De onde vem cada número
Uma estimativa tem duas metades, e elas têm confiabilidades muito diferentes:
| Metade | De onde vem | Quanto erra |
|---|---|---|
| Que alimento é, e a composição dele | Modelo de visão, com a base TACO prevalecendo nos casos regionais | Pouco. Arroz cozido tem a composição do arroz cozido. |
| Quanto tem no prato | Estimativa visual de volume a partir de uma foto 2D | Muito. É a fonte dominante de erro em toda a categoria. |
A base de alimentos é a TACO — Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, da Unicamp — com pratos e porções regionais construídos em cima dela. Onde a base tem uma linha autoritativa para o alimento e a região, ela ganha do modelo: açaí no Norte e açaí no Sudeste são preparos diferentes, e isso depende de quem está segurando o telefone, não do que a foto mostra.
Fora desses casos, quem devolve a composição é o modelo, por 100 g de cada item. A aritmética que transforma composição e porção no total do prato é nossa, roda no servidor e é determinística — o mesmo par (alimento, porção) dá sempre o mesmo total.
Por que "94% de precisão" não quer dizer nada
Concorrentes anunciam números de precisão sem dizer precisão de quê. As perguntas que um número desses precisa responder para significar algo:
- Precisão em identificar o alimento, ou em estimar as calorias?
- Medida contra o quê — pratos pesados em balança, ou rótulos de industrializados, que são o caso fácil?
- Em quantos pratos, e escolhidos por quem?
- Pratos de um item só, ou misturados, que é o que as pessoas comem?
Um aplicativo que acerta 94% dos rótulos de barrinha de proteína e 40% de uma feijoada pode anunciar "94%" com honestidade técnica e sem informar nada. Os benchmarks independentes que testam pratos reais convergem na faixa de ±14% a 20%, e nenhum produto da categoria escapou dela até agora.
O que ainda não medimos, e vamos medir
Não publicamos uma faixa de erro própria porque ainda não a medimos. O critério que definimos para nós mesmos é vinte pratos pesados em balança, comparados um a um com a estimativa. Enquanto esse teste não rodar, o número honesto a citar é o da categoria, e é o que está no topo desta página. Quando rodar, o resultado entra aqui — inclusive se for pior do que gostaríamos.
O que fazemos com a incerteza, já que ela não some
Toda refeição tem uma faixa calculada e gravada — um piso e um teto em torno da estimativa. Ela existe para decidir se vale gastar a única pergunta de esclarecimento que o produto se permite fazer. Mas ela não é recitada na conversa, e essa foi uma decisão consciente: "entre 640 e 915 kcal" faz a pessoa calcular a média de cabeça para decidir o jantar, e ela vai calcular de qualquer jeito. Mais vale darmos o número.
O que substitui a faixa recitada é a suposição de porção dita em voz alta: "2 conchas de arroz, 1 bife grelhado — corrige se estiver errado". É o mesmo compromisso com a incerteza, numa linguagem que dá para contestar. E quem perguntar o quanto aquilo é chute recebe a faixa: ela é calculada sempre, só não é dita sem que se peça.
Correções não têm prazo e se acumulam sobre o prato já corrigido, não sobre o palpite original da câmera. Uma refeição com pergunta pendente fica em rascunho e não conta no total do dia até ser resolvida.
Como usar uma estimativa sem se enganar
Uma refeição isolada com ±18% de erro é um número fraco. Trinta refeições registradas com ±18% de erro não correlacionado formam uma média semanal bem mais firme, porque os erros se cancelam parcialmente. Por isso o produto insiste no total do dia e da semana e não em cada prato.
E é por isso que a meta deixa de vir de uma equação depois de algumas semanas: com ingestão registrada e peso medido ao longo do tempo, dá para inferir o gasto real da pessoa, que é mais informativo que qualquer fórmula populacional. A calculadora é o ponto de partida, não a resposta final.